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Muito além da sala de aula

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Por: Institucional/UFMT

A figura do professor, quase sempre, é associada aos trabalhos desenvolvidos e relacionados ao conteúdo da sala de aula. No caso das instituições de ensino superior, contudo, as ações se expandem e seguem em outras direções, mas mantendo o foco na manutenção e melhoria das condições sociais.

Durante a pandemia, a face mais visível do trabalho docente foi a pesquisa, mas para além desse campo e do ensino, é a partir das atividades extensionistas que a universidade se encontra e dialoga com a sociedade. Na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), as ações são desenvolvidas em todos os seus Câmpus e alcançam de forma direta a comunidade externa.

O Câmpus de Várzea Grande desenvolve o projeto de extensão “EduCursinho”. Desenvolvido desde 2018, ele traz a proposta  de auxiliar estudantes do ensino médio a ingressar no ensino superior. “Temos a finalidade de oferecer cursinho preparatório para o exame nacional do ensino médio (ENEM) para estudantes de baixa renda, visando reduzir a desigualdade educacional”, explica a coordenadora do projeto, professora Daniele Caetano da Silva. “Conseguimos aprovações em diversas instituições públicas como a própria UFMT, o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), Universidade de São Paulo (USP) e outras”, afirma.

Segundo a docente, o resultado do projeto tem sido muito positivo. “Estamos conseguindo proporcionar ao público alvo oportunidades que muitas vezes estavam distantes da realidade de muitos deles”, destaca, acrescentando que feedback dos alunos tem sido de gratidão e aprendizado e que a experiência é enriquecedora. “Os discentes participantes têm uma visão dos desafios da vida de docente e eu, como professora, tenho a oportunidade de conhecer melhor a vida e acompanhar o desenvolvimento desses jovens”, completa.

Demandas da sociedade

O Câmpus de Sinop, desenvolve o “Amamente”. Conduzido pelas professoras Sônia Vivian de Jezus e Kamilla Maesta, docentes do curso de Enfermagem, já mostra resultados para a região.

Sônia Vivian de Jezus explica que a ação impacta socialmente tanto na vida de quem recebe as ações quanto em seus componentes que integram a equipe. “Temos construído e transformado o conhecimento da comunidade e dos acadêmicos, com práticas transformadoras e dialogadas sobre a importância de amamentar, de ter uma rede de apoio efetiva e saber lidar com os problemas corriqueiros relacionados à amamentação”, observa.

“Os alunos vem participando ativamente, conhecendo os problemas sociais que impactam na amamentação e ganhando maturidade enquanto cidadãos. Tem sido uma experiência única e de grande importância para a formação profissional e crescimento pessoal”, completa Sônia Vivian de Jesus.

Fruto da tese de doutorado do professor Romário Rosa de Sousa, do curso de Geografia do Câmpus do Araguaia, o projeto “ Não Esqueça da Hanseníase” inclui discentes e sociedade reforçando o conhecimento na identificação de sinais e sintomas, diagnóstico precoce e tratamento sem interrupção.

“O meu projeto de Extensão e Cultura, tem um impacto social bom e de grande abrangência. A ideia surgiu a partir da minha tese de Doutorado, que falei sobre a Hanseníase na Região da Saúde Garças/Araguaia, onde o polo é Barra do Garças. Assim, este  município destaca-se com os maiores números de casos registrados nesta microrregião, do qual praticamente todos os bairros possuem pessoas portadoras dessa doença”, explica o docente.

As estatísticas da doença apontam que entre 2012 e 2016, Mato Grosso registrou uma taxa de detecção de novos casos de Hanseníase de 88,6 por 100 mil habitantes por ano. Apenas na região do Araguaia, em 2019, o docente constatou 104, o que motivou a realizar o projeto. “Os estudantes envolvidos neste projeto abraçaram a causa, junto comigo por estarem alertando a sociedade do um problema de saúde pública”, completa.

Da teoria à prática

No Câmpus de Cuiabá, as frentes de atuação na área da saúde também apresentam diversos projetos, como na linha de educação em saúde, em que atua o docente Neudson Johnson Martinho.   Ele conta que atualmente conclui três projetos, entre eles “Apoio Psicoeducativo e Emocional Frente a situação de dor: Ações interprofissionais de educação em saúde com profissionais de saúde e familiares de pessoas portadoras de glioblastoma (GB)”, ação  inédita no Estado de Mato Grosso e no Brasil, conforme sinaliza o professor.

“Vemos o impacto na formação dos alunos de medicina, possibilitando aos mesmos um olhar  mais humanístico e diferenciado sobre a assistência médica, transcendendo a visão apenas  biologicista, assim como, para a sociedade reverbera no empoderamento das pessoas  através da apreensão de novos saberes que ajudarão no desenvolvimento do autocuidado”, destacou. Assim como o “Amamente”, que tem se tornado uma importante ferramenta para a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos em sala de aula, possibilitando o encontro da teoria e prática aplicada dentro de uma determinada comunidade, o Educursinho é feito em parceria com os próprios acadêmicos da UFMT.  “Os discentes participantes têm uma visão dos desafios da vida de docente e eu, como professora, tenho a oportunidade de conhecer melhor a vida e acompanhar o desenvolvimento desses jovens. Essa experiência é enriquecedora”, disse Daniele Caetano da Silva.

Com o mesmo pensamento sobre as atividades de extensão, Neudson Johnson Martinho, concorda que elas enriquecem trazendo nova visão de ser docente. “Nos traz nova visão de mundo e que ainda podemos transformar a realidade apesar de todas as adversidades sócio-políticas-econômicas que nós (a maioria dos docentes). Enriquece nos tornando cada vez mais resilientes e mostrando que ainda podemos transformar a realidade repleta de iniquidades sociais”, pontua.

A docente do Câmpus de Várzea Grande complementa que tornar a extensão parte integrante do currículo aumenta a participação dos discentes, proporcionando assim que mais deles tenham conhecimento e passem pela experiência gratificante dos projetos desenvolvidos.

Para o docente do Câmpus do Araguaia, a curricularização da Extensão é um processo que integra a carreira docente desde o ingresso na Instituição. “Já trabalho a muito tempo, e todos os meus projetos de extensão e pesquisa envolve muitos estudantes, e em muitos momentos estamos no meio da sociedade transmitindo conhecimento e aprendendo com o povo”, finalizou.

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