quarta-feira, 12, junho, 2024
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Ativista angolana aponta roda de conversa como estratégia de cura e fortalecimento da população negra

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A ativista angolana Marisol Kadiegi foi a convidada especial da Secretaria da Mulher para a Roda de Conversa, realizada na sede do órgão municipal. Marisol foi obrigada a refugiar-se de seu país ainda na infância, por conta de uma guerra eclodida em 1960. Atualmente, ela usa toda sua experiência de vida e formação acadêmica para combater o racismo e a desigualdade.

Na roda de conversa, promovida em parceria com o Fórum de Mulheres Negras e as Guardiãs Abayomi, Marisol pôde não só compartilhar suas vivências, como também discutir estratégias efetivas de fortalecimento ao povo negro. Para ela, eventos como este, são ferramentas importantes nesse processo, pois permitem que as pessoas desenvolvam reflexões com maior profundidade sobre a busca e a consolidação dos direitos.

“As rodas de conversa têm um poder enorme e nós a usamos como estratégia de cura e fortalecimento entre os nossos pares. Ouvindo depoimentos de uma, ouvindo depoimento de outra, a gente vai tecendo as nossas colchas e nos fortalecendo. Nós temos que ter essas ferramentas, para discutirmos estratégias e buscarmos aquilo que é nosso, aquilo que é um direito humano”, disse a ativista.

Marisol contou que foi para Portugal em 1976, onde ficou em diversos locais destinados a refugiados, até ser “adotada”, em 1979, por uma brasileira e um português. Na residência do casal, ela relatou que foram anos desafiadores. A realidade encontrada foi a de exploração de trabalho, ficando por mais de dez anos em uma situação em que prestava serviços para receber em troca a alimentação e um local para dormir.

“O racismo existia e a verbalização do racismo também. A mulher, principalmente, fazia questão de se vangloriar como uma pessoa muito bondosa que tinha acolhido aquela refugiada. Depois, resolveu voltar para o Brasil e é claro que ela não poderia renunciar aquela mão de obra gratuita. Até que houve um dia em que ela abriu o portão para eu sair, pois com certeza ninguém iria me acolher”, lembrou.

Hoje, a ativista angolana é jornalista, pós-graduada em história cultural, pós-graduada em fotografia como suporte para imaginação, documentarista, e atua como repórter na Televisão Pública de Angola. Marisol destacou que, como mulher preta e refugiada, carrega como missão de vida contribuir no combate ao racismo e com o desenvolvimento de ações que promovam as mudanças necessárias.

“Eu acho que essa é a parte mais importante que constitui essa mulher chamada Marisol. Nossas histórias, durante muito tempo, foram representadas como histórias de pessoas que não se amam. Então, é pela nossa história, pela trajetória do povo negro, que construiu esse Brasil, essa Cuiabá, e que infelizmente, assim como os povos originários, ainda não tem a equidade na sociedade”, completou Marisol.

Para a secretária-adjunta da Mulher, Elis Regina Prates, as rodas de conversas são fundamentais para troca de experiências e o conhecimento de histórias que possam inspirar outras mulheres a ocupar seus espaços na sociedade em geral. Segundo ela, uma das funções da Secretaria de Mulher é possibilitar essas oportunidades que podem resultar na construção de políticas públicas efetivas.

“As mulheres negras têm uma dificuldade muito grande de autoaceitação, de autoafirmação, pois historicamente não nos foram oferecidas oportunidades como esta. É algo que ainda estamos em um processo de construção. Então, é importante conhecer histórias inspiradoras, para que possamos também fazer a diferença na vida uma das outras e, assim, construirmos situações que atendam a todas em geral”, pontuou Elis.

Fonte: Bruno Vicente

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