Home Destaque Sem Foto Ministro justifica decreto que autorizou uso das Forças Armadas durante manifestação em...
Prefeitura Roo
Fullbanner1

Ministro justifica decreto que autorizou uso das Forças Armadas durante manifestação em Brasília

Fonte: NOTÍCIAS DE MATO GROSSO com Agência Câmara

Em audiência pública conjunta de cinco comissões da Câmara dos Deputados, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que as Forças Armadas estão sendo “excessivamente solicitadas” para resolver problemas de segurança pública, negou a realização de exercícios militares conjuntos do Exército brasileiro com o dos Estados Unidos e manifestou a posição contrária de sua pasta à aprovação de projeto que permite a venda de grandes extensões de terras a empresas estrangeiras.

Jungmann foi convidado para discutir vários temas na audiência, realizada nesta quarta-feira (28). Um deles foi o emprego das Forças Armadas para a proteção de prédios públicos durante as manifestações ocorridas em Brasília, no dia 24 de maio, que resultaram em depredação de ministérios e pessoas feridas.

O ministro justificou a edição de decreto que permitiu o uso das Força Armadas na ocasião em virtude da ausência, em Brasília, de contingente suficiente da Força Nacional de Segurança. “Naquela hora, havia prédios incendiados e não percebíamos que as forças do Distrito Federal dariam conta da situação. Aqui só dispúnhamos de um pequeno contingente da Força Nacional e o único recurso era usar as Forças Armadas”, explicou.

Ele informou que a ordem operacional dada à tropa era para proteção dos prédios e das pessoas que queriam sair dos ministérios. E, apesar de justificar o uso das Forças Armadas como necessária, ele admitiu que houve um mal-entendido em relação ao pedido de reforços federais feito na ocasião pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

“O pedido do presidente da Casa foi para o emprego da Força Nacional de Segurança e eu entendi que era operação de Garantia de Lei e Ordem (GLO). Eu assumo o mal-entendido”, disse.

O emprego das Forças Armadas foi criticado por deputados do PT. “Acreditamos que as Forças Armadas têm que se empenhar na proteção da fronteira e da população brasileira. E nos estranha essa participação em atos políticos em que confrontos são provocados por pequenos grupos, que sequer são investigados”, disse o deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

“A intervenção militar na Esplanada foi anacrônica e lembrou os tempos da ditadura”, criticou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

Segurança pública
O ministro também foi questionado por deputados a respeito do uso das Forças Armadas na segurança pública dos estados – o que ocorreu este ano no Espírito Santo, com o uso de 3 mil militares das Forças Armadas e mais de 300 integrantes da Força Nacional. Nos últimos sete anos, segundo ele, foram realizadas 29 operações deste tipo.

O deputado Capitão Augusto (PR-SP), presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e um dos autores do convite ao ministro, reclamou da diminuição dos efetivos das polícias estaduais e pediu ajuda, principalmente, para o combate ao tráfico de armas e drogas. “Nós, das polícias do Brasil, estamos nas trincheiras de uma guerra civil, com 55 mil mortes violentas ao ano. Estamos pedindo socorro”, disse.

O assunto dividiu os parlamentares. “Sou amplamente favorável às Forças Armadas nas ruas”, disse o deputado Delegado Éder Mauro (PSD-PA), que é delegado da Polícia Civil.

Já o deputado Delegado Waldir (PR-GO) se manifestou contrariamente. “Acho um absurdo a utilização das Forças Armadas no policiamento das ruas. Este papel é da polícia dos estados, e o governo federal tem incentivado a incompetência dos governadores, que não contratam policiais e, quando contratam, pagam uma miséria”, afirmou.

Raul Jungmann, apesar de justificar o uso das Forças Armadas quando necessário, admitiu que há um exagero no número de pedidos das chamadas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), previstas na Constituição.

“Não é papel das Forças Armadas cumprir esta função, a não ser em situações limite. Quando a tropa entra, o crime se retrai. Quando sai, o crime retorna”, disse.

Infiltração
Jungmann foi questionado por deputados do PT a respeito da infiltração do capitão do Exército William Pina Botelho, depois promovido a major, em um grupo que planejava promover uma manifestação contra o presidente Michel Temer em setembro do ano passado, em São Paulo.

O grupo acabou denunciado por organização criminosa pelo Ministério Público de São Paulo, depois de ter sido preso pela Polícia Militar.

“O capitão do Exército se infiltrou, ajudou a articular o protesto e depois participou do flagrante. Foi um flagrante forjado e o ato foi ilegal”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). No dia da prisão do grupo, estava em vigor uma GLO em São Paulo.

Jungmann disse que a operação foi legal. “Naquele momento, a ação era legal. Houve sindicâncias feitas pelo Exército e pelo Ministério Público Militar, e as duas foram arquivadas”, respondeu Jungmann.

A audiência desta quarta-feira foi realizada pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; de Seguridade Social e Família; de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia; e de Trabalho, Administração e Serviço Público.

Jungmann foi convidado a pedido dos deputados Bruna Furlan (PSDB-SP), João Daniel (PT-SE), Patrus Ananias (PT-MG), Laerte Bessa (PR-DF), Capitão Augusto (PR-SP), Paulo Teixeira (PT-SP), Erika Kokay (PT-DF), Bohn Gass (PT-RS), Leonardo Monteiro (PT-MG), Marcon (PT-RS), Nelson Pellegrino (PT-BA), Robinson Almeida (PT-BA), Ságuas Moraes (PT-MT), Vicentinho (PT-SP) e Adail Carneiro (PP-CE).

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Escreva seu comentário
Coloque seu nome aqui