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Juiz libera novo depoimento de coronel, que deve comprometer primos Taques em MT

Fonte: Folha Max
Foto: Internet

O juiz Marcos Faleiros da Silva, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, acatou o pedido da defesa do coronel Zaqueu Barbosa, e agendou novas audiências com o militar no caso que julga os crimes de interceptação ilegal praticadas nas entranhas do Governo do Estado contra adversários do ex-governador Pedro Taques (PSDB). O novo interrogatório foi agendado para os dias 16 e 17 de julho, às 13h30, no Fórum de Cuiabá.

Zaqueu pediu à Justiça uma nova audiência após o juiz deferir o reinterrogatório do cabo Gerson Corrêa e do coronel Evandro Lesco, ambos da Polícia Militar de Mato Grosso e réus no processo. Gerson é réu confesso e apontado por ser o principal operador do esquema. “Trata-se de pedido de reinterrogatório, formulado, desta feita, pelo acusado Zaqueu Barbosa, visando resguardar o seu direito ao contraditório e à ampla defesa”, diz a decisão.

No mesmo dia, Marcos Faleiros ouvirá Zaqueu, Gerson e Lesco. Os dois últimos alegam ter novos fatos a serem apresentados ao caso, que antes não haviam contado com medo de represália.

A expectativa, de forma geral, é que eles entreguem novos nomes de envolvidos, podendo – até mesmo – confirmarem a participação de Pedro Taques e de seu primo, Paulo Taques, ex-secretário-Chefe da Casa Civil. Ao fundamentar o pedido, os advogados de Gerson também citam que o objetivo é ter a oportunidade de contrariar e se defender das argumentações de Lesco, que desde o início tenta provar sua inocência no envolvimento no caso.

O julgamento do caso estava agendado para ocorrer entre os dias 20 e 22 deste mês, na última semana. Agora, com o novo cenário, o magistrado agendou o julgamento do caso para os dias 14, 15 e 16 de agosto.

Na mesma decisão, Faleiros autorizou o coronel Ronelson Jorge de Barros a se ausentar da Comarca para realizar uma viagem. Cabo Gerson é réu confesso na ação dos grampos ilegais implantados em Mato Grosso. Ele é tido como operador do sistema e principal colaborador da Justiça na elucidação dos fatos. O caso tramita na 11ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada em crimes cometidos por militares do Estado, sob o martelo do juiz Marcos Faleiros da Silva.

Boa parte do caso, inclusive o apontamento de como se dava o modus operandi e os envolvidos, foi fornecida por Gerson. Agora, caso seja deferido o pedido, o novo reinterrogatório poderá fornecer novos detalhes e nomes de envolvidos podem surgir, dando uma reviravolta no caso. Este será o terceiro depoimento sobre o caso que Gerson dará à Justiça.

Durante todo o trâmite do caso, o coronel Evandro Lesco negou sua participação no esquema, admitindo apenas ter emprestado o montante de R$ 24 mil ao cabo da PM Gerson Corrêa Júnior, que usou o dinheiro para comprar os equipamentos usados para realizar as escutas.  Além disso, o coronel também afirmou que, apesar de Gerson ser o responsável pela compra do equipamento utilizado para as escutas, de nome “Sentinela”, seu nome foi incluído pela empresa fornecedora como o responsável pela compra.

Ao protocolar o pedido, os advogados de Lesco citaram que seu cliente decidiu fornecer informações ainda desconhecidas pela Justiça no caso dos grampos ilegais.

A expectativa é que Lesco possa admitir sua participação no esquema, que grampeou ilegalmente adversários do ex-governador Pedro Taques (PSDB), ou que venha a firmar um acordo de colaboração premiada. “Sabido que o interrogatório se apresenta como meio de defesa pessoal realizado diretamente pelo acusado, o mesmo se diz do reinterrogatório, que não pode ser obstado quando impulsionado por motivações relevantes que influem diretamente no mérito da lide penal, sob pena de convalidação de constrangimento ilegal insanável e inequívoca afronta ao contraditório e à ampla defesa. Não se olvide que em relação a codenunciado foi oportunizada exegese similar”, frisou ao lembrar a oitiva do cabo Gerson Correa Júnior.

Nos bastidores, já se comenta que Lesco tenha fechado acordo de colaboração premiada no âmbito da “Operação Esdras”, que tramita no Tribunal de Justiça. Ele teria comprometido o ex-governador e também o ex-chefe da Casa Civil e advogado Paulo Taques.

O pedido do coronel foi encaminhado pelo juiz Marcos Faleiros da Silva ao Ministério Público Estadual para emitir parecer sobre uma nova oitiva dele. O órgão, por meio do promotor Allan Sidney do Ó, se mostrou favorável ao depoimento do ex-secretário.  “O Ministério Público não se opõe ao deferimento do pleito, até porque, encontra-se respaldado de forma subsidiária no art. 196, do Código de Processo Penal, se tratando o interrogatório, de um ato processual não preclusivo”, diz o parecer.

Nas alegações finais, o MP pede que a Justiça condene Lesco pelo crime de realização de operação militar sem ordem superior, que pode resultar em 3 a 5 anos de reclusão, além de correr o risco de ser expulso da corporação.

Além de Evandro, também são réus na ação penal o cabo da PM Gerson Corrêa; o ex-comandante da PM, Zaqueu Barbosa; o coronel Ronelson Barros, ex-adjunto da Casa Militar; e o coronel Januário Batista. Além de Lesco, existem rumores de uma delação premiada de Zaqueu.

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