Imprensa nacional indica “pedágio” no salário de servidores de Flávio Bolsonaro

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Resenha

Imprensa nacional indica “pedágio” no salário de servidores de Flávio Bolsonaro

Fonte: Da Redação NMT
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Deputado estadual e senador eleito tem adotado postura de cobrar explicações de motorista, esquivando-se de qualquer relação com conta suspeita. Foto - Domingos Peixoto/O Globo

A informação que a quantia suspeita de R$ 1,2 milhão circulou por uma conta de um motorista do deputado estadual pelo Rio de Janeiro e senador eleito, Flávio Bolsonaro (PSL) – filho do presidente eleito e já diplomado, Jair Bolsonaro (PSL) – pegou muita gente de surpresa. Como dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF apontaram que os ganhos de Fabrício José Carlos de Queiroz, o motorista, não explicam a o acumulo da movimentação da quantia em questão, o primeiro pensamento lógico de quem notou as primeiras informações surgirem foi: ele é um “laranja”? Segundo tudo que foi conhecido até agora e a não ser que se descubra alguma outra atividade criminosa de Fabrício, ou que ele seja um magistral vendedor de Hinode ou negociante fora de série de Bitcoins, isso é muito possível.

De toda forma, a origem do dinheiro encontrado com o motorista é o que ainda não ficou claro para que muita gente forme suas opiniões ou até mesmo suas dúvidas. Seria Flávio mais um recebedor do “mensalinho” de Jorge Picciani na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro – ALERJ e Fabrício o responsável por gerenciar a grana? Até o momento não há qualquer razão para imaginar a participação do filho de Bolsonaro neste esquema. O fato já confirmado, porém, é a existência de transferências bancárias de ex-servidores do gabinete para a famigerada conta, o que podem ser sintomas que podem apontar uma linha de investigação sobre uma prática ilegal muito comum no legislativo nacional, seja ele municipal, estadual ou federal, que é o famoso “pedágio” ou “rachid” do salário dos nomeados.

A engenharia do que se apresenta é muito simples: nomeia-se um servidor para ganhar, por exemplo, R$ 15 mil por mês e o mesmo fica incumbido de voltar um percentual, que pode ser R$ 5 mil, para um caixa do gabinete. O operador de tudo isso, obviamente, que não é o próprio parlamentar, que correria sérios riscos de tratar do assunto, mas um outro assessor de sua extrema confiança, que é responsável não só por firmar o acordo com o trabalhador, mas cobrar os valores mensalmente. O renomado jornalista Merval Pereira, ressaltando que não há qualquer comprovação ainda, escreveu, neste início de semana, sobre o caso do motorista de Flávio e lembrou a prática citada neste Chicote.

“À boca pequena sabe-se, sem que tenha sido investigado e comprovado ainda, que parlamentares de maneira geral, com raras exceções, e em todos os níveis de representação, costumam, e não é de hoje, cobrar um pedágio de seus funcionários”, opinou Merval, sendo replicado pelo site Antagonista, que não tem qualquer estigma de perseguir Jair Bolsonaro (PSL), aliás, muito pelo contrário. Seguindo o enredo, a pergunta que fica então é: como tudo isso poderia prejudicar Bolsonaro, sendo que sequer Flávio ainda pode ser acusado de qualquer crime? O grande “tumor” de toda situação foi um cheque descontado, ou seja, pago pela tal conta suspeita, no valor de R$ 24 mil, à nova primeira-dama, Michelle Bolsonaro, esposa de Jair.

O presidente eleito justificou tudo como um empréstimo feito a Fabrício e que o mesmo estava apenas retornando a gentileza. Merval escreveu que até aí tudo bem, assim como é aceitável entender Jair Bolsonaro não incluir o valor na declaração de Imposto de Renda. O que não pode, segundo indica o renomado jornalista, é excluir com isso a necessidade de qualquer vinculação do presidente eleito com a situação, em outras palavras, excluir a possibilidade ao menos da dúvida. Da mesma forma que é grave achar que a simples fala de Flávio Bolsonaro, dizendo que o motorista vai dar explicações, o retira totalmente da cena para deixar tudo no colo de Fabrício. Bolsonaro foi aclamado por milhões de pessoas que abominam corrupção e a transparência absoluta é artigo indispensável para que essa relação com o povo siga saudável.

Não se deve haver condenações precoces, da mesma forma que inocentar quem pode ser culpado sem achar conveniente qualquer tipo de aprofundamento pode fazer o Brasil se deparar com uma epidemia política de posicionamentos esquizofrênicos talvez jamais vista, muito pior até mesmo do que aqueles que se contentavam com o “rouba, mas faz” de Paulo Maluf, ou dos que brincavam com os tantos casos de ladroagem na era petista de Governo com a frase “Lula ladrão, roubou meu coração”. O cidadão pode adorar um político mesmo sabendo que suas práticas fogem da licitude, por mais absurdo que seja isso ele pode achar que o custo-benefício compensa. Mas muito mais perigoso que isso ao país e a conservação do senso crítico necessário de um povo é a cegueira oriunda de uma paixão descontrolada.