ETERNAMENTE – George Ribeiro

Fullbanner1


ETERNAMENTE – George Ribeiro

Fonte:
SHARE

Minha vida parou quando o céu
Revezava cores: rosado, azulado,
Bege e com muito pouca iluminação.
Ah… A folha do coqueiro ainda verdejava…
Mas até o verde parou no balanço ao léu!
Tudo repentinamente ficou paralisado,
Inclusive as batidas do meu coração.

Mas esse cenário pausado
Também reteve nele inerente
A ansiedade, o medo e a solidão.
Preso eu estava numa singularidade,
O único a mover-se na tela chapada,
Sem passado, futuro ou presente.
Passei a temer tal condão.

Flutuei com os ventos parados,
Assim que saí de uma rua deserta.
Havia ali estátuas. Não! Havia gente
E objetos (pesados) suspensos na atmosfera…
A uma moça loura de olhos vidrados
Gritei que nos livre da coisa incerta.
Somente eu parecia existente!

Anjos do céu, todos anestesiados.
Não havia quem me ajudasse na hora!
Amigos, meus irmãos! Fui imprudente!
Será que toda a coisa insana não é transitória?
Não haverá retorno aos tempos flagelados?
Oscilantes tempos… Pior é este de agora!
Eternamente na mente, mente o ente…

(*) George Ribeiro é poeta, rondonopolitano e membro da Academia Rondonopolitana de Letras, cadeira número 9