Esquerda segue mordendo a isca de Bolsonaro

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Resenha

Esquerda segue mordendo a isca de Bolsonaro

Fonte: Da Redação NMT
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Foto - Arquivo/Estadão IGO Estrela

O ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva (PT), deve estar batendo a cabeça de uma parede na outra em sua cela na Superintendência da Polícia Federal – PF, em Curitiba – onde está preso para o cumprimento de mais de 12 anos de pena por corrupção – se tiver tendo acesso diário ao noticiário sobre as discussões que tomam as manchetes da política nacional. Isto porque, sem a sua presença, ou melhor, sua voz rouca para dar o tom do debate, a esquerda nacional segue entrando dentro da “arapuca” de Jair Bolsonaro (PSL), o presidente eleito, e mantendo ao mesmo ou até aumentando a grande popularidade que o elevou ao poder.

As eleições de 2018 já deixaram mais do que claro a qualquer analista iniciante de política que tenha alguma visão de resultado eleitoral que, em se tratando das chamadas pautas morais, ou melhor se referindo: questões envolvendo o comportamento humano e o respeito ao espaço de cada um, o que envolve a discussão sobre a ideologia de gêneros, avanços nas políticas de apoio a comunidade LGBT e tantas outras bandeiras minoritárias, o brasileiro, em maioria, “está com Bolsonaro” em seus posicionamentos, por mais que isto cause arrepios nos militantes das referidas. Foi exatamente por não entender ou aceitar isso antecipadamente, levando a discussão da campanha para outras pautas, que ninguém foi páreo ao capitão da reserva.

O engraçado é que por mais incrível que pareça, mesmo depois das urnas deixarem claro essa realidade, as discussões que tomam a maior parte da atenção atualmente, nas redes sociais ou mesmo em debates nos grandes veículos de comunicação, sobretudo pela repercussão dada pela própria militância de esquerda, que se diz intelectual, segue nesta seara. O caso Queiróz, que pode denotar um esquema de corrupção sistêmico da família Bolsonaro, ou mesmo o absurdo do vice-presidente dar mais de R$ 24 mil de aumento ao próprio filho com 10 dias de governo, não tiveram a mesma atenção que a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, dizendo que menino veste azul e meninas o rosa.

Até mesmo seis congressistas democratas americanos, sintonizados com a esquerda brasileira, chegaram ao absurdo de se unir para pedir ao presidente daquele país, Donald Trump, que talvez seja ainda mais extremista que o líder político brasileiro em muitos assuntos, para tomar medidas contra o novo governo brasileiro por desrespeitos aos Direitos Humanos – que no Brasil é chamado pelos militantes de Bolsonaro de “Direitos dos Manos” – citando casos como o anunciado fim de novas demarcações de terras indígenas e coisas do tipo. Pelo jeito, fica demonstrado que tanto lá como cá o pensamento de esquerda precisa de um líder, como é o caso de Lula, que consiga ter um pouco mais de visão macro sobre quem é e o que quer seu próprio povo.

A prepotência intelectual de jornalistas e acadêmicos de pensamento marxista em não popularizar suas bandeiras, ficando mais satisfeitos em demonstrar em uma entrevista ou debate seus vastos vocabulários e conhecimentos históricos do que propriamente informar e se aproximar da grande massa com sua inteligência é o que dificulta tanto um projeto político esquerdista. O ego quase sempre presente provoca a desunião interna, que acaba refletindo fora das salas fechadas e ruindo as intenções de todos envolvidos, como foi com Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT) no pleito recente. Se a inteligência emocional, a humildade e a estratégia não for trabalhada entre seus membros, o jeito será esperar um novo fenômeno nascer e enquanto isso ver Trumps e Bolsonaros, com todas suas limitações, comandando o barco.