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Após áudios, Bolsonaros desfocam Queiroz, mas até quando?


| Fonte: Da Redação NMT
Ex-assessor de Flávio Bolsonaro e possível operador da rachadinha, está revoltado por abandono da família presidencial. Foto - Reprodução

Tanto o presidente Jair Bolsonaro (PSL) quanto os filhos, Eduardo, Carlos e sobretudo Flávio Bolsonaro (PSL), senador diretamente envolvido em suposta prática de “rachadinha” – quando o político fica com parte do salário dos servidores de sua confiança – não comentam abertamente os áudios vazados, nos últimos dias, pelo militar da reserva Fabrício Queiroz, o homem que seria o executor do esquema dentro do gabinete de Flávio, quando este era deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

Como vem sendo costumeiro na família Bolsonaro, o mérito da questão em si é ignorado e desviado para um discurso de “perseguição”. Ainda não criaram a coragem de repetir o enredo intragável do PT em questionar sobre a falta de “provas na acusação”, como os defensores de Lula fazem para tentar apagar os tantos esquemas executados pelo petista, mas os Bolsonaros, porém, já usam da mesma tática de contra-ataque a um inimigo maior que estaria liderando uma conspiração, semelhante o que fazem os lulistas com Sérgio Moro.

No caso dos filhos mimados do atual presidente, os “vilões” que perseguem os “mocinhos” estão na imprensa, no Foro de SP, obviamente, mas agora um novo álibi tem criado força: os “oportunistas” do próprio PSL. Nas redes sociais, a militância bolsonarista minimiza as falas absurdas de Queiroz com a narrativa de que foi alguém da ala “Bivarista” do próprio partido do presidente que vazou o material para a imprensa. Ocorre que pouco importa quem vazou, não interessa se alguém torce contra o Governo ou odeia Bolsonaro, o problema são os fatos.

Já existe um ex-servidor de Flávio Bolsonaro, chamado Agostinho Moraes da Silva, que confirmou que passava dois terços do que constava em seu contracheque, o que representava R$ 4 mil, para o pedágio de Queiroz, ou seja, sobrava para o trabalhador R$ 2 mil por mês. Depois que as investigações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras – Coaf apontaram um valor milionário e incompatível na conta de Queiroz, o ex-homem de confiança foi deixado na geladeira pela família do presidente. A operação abafa, ao que parece, consiste em estreitar os laços com o Judiciário para salvar o pescoço apenas de Flávio e isso parece que tem tido sucesso, todavia ainda resta Queiroz. Até quando o ex-aliado que acostumou na vida boa vai aguentar?

Justamente na hora em que Fabrício Queiroz imaginava que ia dormir em berço esplêndido, com aqueles que tanto fielmente serviu chegando ao poder máximo do país, o ex-servidor simplesmente não pode gozar das benesses que todos os mais próximos estão se esbaldando. No áudio, recentemente conhecido pela imprensa, gravado em junho e atribuído a Queiroz, o ex-braço direito de Flávio já deixa claro toda sua insatisfação com a questão. “Tem mais de 500 cargos lá, cara. Na Câmara, no Senado, pode indicar pra qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles (Bolsonaros) em nada. “Vinte Continho” pra gente caia bem pra *ca…lho”, reclamou.

A fala, porém, mostra o tamanho da inconsequência de Queiroz e, naturalmente, de Jair Bolsonaro e filhos por manter gente desse nível tão próximo. Qualquer cargo público que assumisse no Brasil agora, o ex-servidor de Flávio estaria visado, seria atacado e o seu superior massacrado politicamente e pela imprensa, ou seja, não ninguém vai assumir a bronca. Embora reclame ser um pai de família e lamente ser quem está “pagando o pato” sozinho, não há outra saída para Queiróz. Lhe dar um cargo público, somente se a família Bolsonaro fosse muito inconsequente, mas talvez é justamente aí que mora a esperança de Queiróz. Eles são relaxados o bastante para fazer isso.

Além da falta de amparo financeiro, a revolta de Queiróz também se estende a falta de articulações jurídicas para lhe salvar a pele. “É o que eu falo… O cara lá está superprotegido e eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar aí, ver e tal… É só porrada. O MP (Ministério Público) tá com um “pica” do tamanho de um cometa para enterrar na gente. Não vi ninguém agir”, lamentou-se. Em outro momento da fala, Queiróz xinga promotores do MP a frente das investigações. “Esses depoimentos, cara, eles (promotores) vão lá e pegam mesmo, esses filhos da puta, rapaz. Até demorou a pegar”, admitiu.

A reflexão que fica é: caso não fosse descoberto a tempo, quem seria Queiróz atualmente em Brasília e que tipo de serviço estaria executando para interesse dos Bolsonaros? Se ele não veio, a prática acabou ou tem alguém no lugar fazendo o “corre”? Nas conversas vazadas, o próprio Queiróz admite o cuidado de Bolsonaro, inclusive com os detalhes dos gabinetes dos filhos. O atual presidente chegou a exigir a demissão de uma funcionária do gabinete de seu filho vereador, Carlos Bolsonaro (PSC). O objetivo era se desvincular totalmente de Cileide Barbosa Mendes, doméstica da família e tida como “laranja” na empresa do ex-marido de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente.

O ex-assessor de Flávio ainda mostra revolta com o uso em demasia da internet por Bolsonaro e seus filhos, além do fato do presidente ser constantemente humilhado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). O tom agressivo e a ansiedade do homem que está no olho do furacão, demonstra que a sobra de todo esse imbróglio é uma equação sem resposta. Se os Bolsonaros acreditam que Queiróz é inocente, porque não lhe empregam em Brasília? Se o isolam, admitem que ele pode ter cometido ilícitos, então como uma família que preza tanto pela moralidade manteve alguém assim por mais de 10 anos de maneira tão próxima?

A verdade é que Queiróz, pelo que mostra nos áudios, não aguenta mais a carga que está nas costas e, caso seu processo ande e a prisão se torne uma realidade, pode ser a bala de canhão mais ameaçadora para as estruturas do Planalto. Caso o “pior” venha a ocorrer, será a hora de mais uma vez imitar Lula e ir ao ridículo de tratar Queiróz como o PT fala de Palocci, como se o Brasil todo não soubesse da verdade.

Abaixo, áudios de Queiróz gravados em junho.

 

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