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Um ano da facada em Bolsonaro


| Fonte: Da Redação NMT
O Presidente da República que quase morreu é exatamente o mesmo homem que fez fama na Câmara com muita polêmica. Foto - Raysa Campos Leite/Reuters

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) passou pela imprensa que tradicionalmente o espera na saída do Palácio da Alvorada, onde residente, e novamente não quis conceder coletiva, em clara retaliação ao fato dos jornais e outros veículos não reconhecerem nenhuma das “boas ações” de seu Governo e só publicarem críticas pessoais contra si. O mandatário, porém, fez questão de ressaltar o 6 de setembro de 2019 como o seu “segundo aniversário”, já que a data marca o dia da fatídica facada que recebeu durante atos de sua campanha, no interior de Minas Gerais.

Muitas pessoas ao passarem pela experiência grave do “quase-morte”, como efetivamente foi o caso do atual presidente, trazem com o profundo experimento muitas reflexões de vida e aprendizados que transformam totalmente sua história. Boa parte, inclusive, desenvolve carreira religiosa, alguns escrevem valiosos livros e outros, de variadas maneiras e em qualquer setor que atuem, trazem com seu testemunho importantes colaborações ao restante da humanidade sobre o quão magnífica é a vida, o quanto são importantes os detalhes e como é um verdadeiro milagre tudo que ocorre a nossa volta.

Incrivelmente, o presidente da República é um caso raro e tosco onde nada, absolutamente nada, pelo menos do que e vê e ouve de sua parte no pós-incidente, foi transformado em seu ser após quase perder a vida no momento que talvez fosse o auge de sua existência até ali. Não que se esperasse dele uma postura Dalai-Lama, claro que este “renascimento”, como o mesmo sugere, não precisava lhe fazer virar um Geraldo Alckmin ou qualquer outro político que não usa da agressividade em sua conduta. Bolsonaro tem formação militar, óbvio que estaria, mesmo após tanto tempo de inatividade, um pouco mais preparado mental e fisicamente para superar com mais naturalidade este tipo de infortúnio. Mas não deixa de ser incrível como nada lhe agregou frente a tudo que passou, a não ser talvez ainda mais ódio.

Embora isso que se retrate aqui possa parecer uma mera análise, a verdade é que diz muito sobre a personalidade de Bolsonaro e sobre seu Governo que já acontece, mas que ainda terá mais de três anos pela frente. O atual presidente do Brasil, que assumiu o país frente a um dos seus quadros econômicos mais problemáticos desde a hiperinflação dos anos 90, é ainda menos observador e sábio do que se esperava, e nunca se esperou muito. Não haverá problema que surja diante de seus olhos que lhe fará rever conceitos, quebrar paradigmas e refazer caminhos nitidamente errados. Tal qual era antes da facada, ele seguiu. É exatamente assim que se portará frente a tudo que lhe surgir. Se fosse apenas um aspecto de frieza de sua parte, até poderia ser algo a ser tido como positivo, mas não se trata disso.

Bolsonaro é feito aquele homem que agarrado na boia a deriva no meio do mar se nega a pedir ajuda ao navio que surge com receio do que e quem está a bordo. Seu filho, Flávio Bolsonaro (PSL), atualmente senador, recusou ajuda da médica Jandira Feghali (PCdoB), sua concorrente política, durante um debate visando a Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016, quando passou mal e chegou desmaiar. Qualquer solução para o pessoal que governa o Brasil só é, de fato, uma solução, dependendo na cabeça de quem surja, do contrário não serve. Esse último ponto, especificamente, não é inédito na história do Brasil, mas muitos que votaram 17 em outubro do ano passado imaginavam que o que vinha no horizonte era diferente do que já havia sido experimentado. Não é…

 

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