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Jayme e Wellington incomodados com Medeiros


| Fonte: Da Redação NMT
Veteranos não estão confortáveis com destaque de "novato". Foto - AgênciaSenado

Um é o político com mais mandatos de deputado federal na história de Mato Grosso – seis no total; o outro foi simplesmente prefeito de uma relevante cidade com pouco mais de 30 anos, ainda no início dos anos 80, e desde então foi tudo que um político sonha ser: governador do seu estado e eleito senador por duas vezes, só faltou ser presidente. Com estes currículos impressionantes, os senadores da República, Jayme Campos (DEM) e Wellington Fagundes (PL), vivem o dilema de ver o deputado federal de primeiro mandato e ex-senador, José Medeiros (Pode/MT) – que assumiu a cadeira no alto parlamento em virtude de uma suplência – tomar o protagonismo da bancada federal do estado campeão nacional de produção, em 2019, junto ao homem que atualmente preside a República.

Embora o comportamento de Medeiros em nada denote soberba ou qualquer coisa que lhe faça caminhar longe da humildade, a verdade é que o deputado hoje colhe simplesmente o prestígio que é fruto de uma relação pessoal construída. Medeiros foi o único parlamentar eleito no estado de Mato Grosso com verdadeira proximidade com Jair Bolsonaro (PSL), muito antes do mesmo tornar-se presidente da República. Ainda enquanto deputado polêmico e iniciando um processo de liderança nacional via redes sociais, o atual presidente conviveu com Medeiros no Congresso Nacional em virtude de um amigo em comum entre o mato-grossense e o atual morador do Palácio da Alvorada: o ex-senador, Magno Malta (PL). Os três almoçavam juntos e projetavam, ainda muito longe do pleito de 2018, o quanto poderia ser decisiva a militância digital nas eleições que se avizinhavam. O próprio deputado federal do PSL, Nelson Barbudo, que acabou sendo o mais votado de Mato Grosso para o cargo, só conseguiu chegar até Bolsonaro quando vinha até o Congresso Nacional como visitante, entre 2016 e 2018, por intermédio de Medeiros.

Magno Malta praticamente abandonou sua campanha de reeleição para o Senado Federal, no Espírito Santo, e acabou entrando de cabeça no projeto presidencial de Bolsonaro, sobretudo após o favorito na disputa ser esfaqueado e impedido de viajar pelo Brasil. Esta missão acabou custando a vitória de Magno nas urnas em virtude do forte bairrismo do seu estado, que acabou sendo explorado por seus adversários. Não foram raros os momentos, inclusive na apuração dos votos do segundo turno, no fim do último outubro, em que Medeiros e Magno acompanharam as cenas finais das eleições de dentro da residência do atual presidente, na Barra de Tijuca, no Rio de Janeiro. Magno, por uma divergência com um dos filhos de Bolsonaro, acabou não virando ministro, mas mesmo assim foi o primeiro que o presidente chamou para o ato inicial após confirmação da vitória, liderando uma oração transmitida em todos canais de televisão. Medeiros, que participou dessa parte importante da história nacional, assumiu o mandato de deputado com o apreço do Planalto.

Nos bastidores, o mato-grossense já foi cotado a ministro, algo que só não efetivou por um desencontro de acerto partidário envolvendo as direções nacionais do PODEMOS e PSL. Como parlamentar, embora não tenha a liderança da bancada, hoje nas mãos do também deputado federal, Neri Geller (PP), a ligação direta de Medeiros com Bolsonaro e seus assessores pôde ser sentida, na última semana, quando na agenda oficial do presidente constava: “Reunião com Medeiros e bancada de Mato Grosso”. Carlos Bezerra (MDB), deputado federal e tão veterano feito Jayme e Wellington, tem lidado melhor com a situação, mas Fagundes e principalmente Jayme têm se inquietado. Bezerra não compareceu na reunião com o presidente, já os outros dois foram e não conseguiram esconder o desconforto nem antes e nem pós-agenda com a coadjuvação. A coisa piorou depois que a imprensa evidenciou a importância de Medeiros na montagem da pauta e alfinetadas ao deputado do Podemos, construídas por quem sabe escrever e recebeu ordem do chefe, começaram a circular em grupos de discussão política no WhatsApp.

Os ataques, obviamente, são reflexos da chateação dos veteranos, o que nada tem a ver com qualquer questão política, até porque tanto Wellington quanto Jayme e seus respectivos partidos seguem com espaço de sobra em locais valiosos dentro do Governo. O que tem impulsionado Campos a torcer o nariz e atacar Medeiros e Bolsonaro por seus posicionamentos com adjetivos agressivos, como já fez em situações recentes, é a ferida que está aberta onde mais dói nos homens públicos de longa carreira: no ego.

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