Home Editorias Brasil Taques aposta em perdão popular, mas repete caminho de Demóstenes

Taques aposta em perdão popular, mas repete caminho de Demóstenes

O ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), acompanha ansioso o desenrolar final do processo que tem tudo para levar à cassação da ex-juíza e atual senadora, Selma Arruda (PSL), por ilicitudes durante sua campanha eleitoral. Isto porque, o tucano aposta que tem viabilidade para disputar bem uma eleição extemporânea para retornar ao Senado Federal.

Apesar de todo desgaste que acumulou no tempo em que esteve à frente do Palácio Paiaguás, seja por uma gestão bem abaixo do que se esperava, mas sobretudo pelos tantos escândalos e secretários presos, Taques crê que terá o perdão popular por todo o contexto. Ele avalia que as questões econômicas nacionalmente negativas impediram seu sucesso como governador e que o povo comprará essa ideia, dentro de uma eventual campanha.

Nos últimos dias, o “baixinho” já iniciou até reuniões com pessoas mais próximas para expor a tese de sua candidatura. Tudo bem que o grupo de pessoas que o rodeiam, que era enorme, hoje cabe tranquilamente numa kombi, mas o tucano defende insistentemente que sua retórica refinada pode reconquistar o coração dos mato-grossenses. A impossibilidade deste projeto não ser aceito por seu próprio partido não é visto como problema, já que uma migração ao PPS, hoje CIDADANIA, não teria empecilhos.

Do ponto de vista prático, porém, frente toda situação, o que fica visível é que Taques apresenta um sintoma de arrependimento, bem comum aos homens que num surto criminoso agridem suas esposas. Muitas vezes, não existe buquê de flores, poesia ou loucura em forma de prova de amor e pedido de perdão que refaçam este laço. Em política, na maior parte das vezes, é assim também que ocorre.

Aliás, o ex-governador poderia se valer do exemplo do também ex-senador e contemporâneo, Demóstenes Torres (PTB), alguém que veio da mesma escola, tão bom de discurso quanto, que atingiu o mesmo sucesso no Congresso Nacional e após cair em desgraça com a população, pelo pseudo-envolvimento com Carlinhos Cachoeira, ainda achou que estava nos braços da galera e foi surpreendido por uma votação pífia, em 2018.

Torres queria disputar o Senado e não conseguiu espaço em nenhuma chapa, migrando sua candidatura para o cargo de deputado federal. O fenômeno de mais de 2 milhões de votos, em 2010, sucumbiu com pouco mais de 27 mil, ano passado. A comparação de Taques com Demóstenes sempre foi pertinente e segue sendo até nesta fase quando os dois saíram da política. A vaidade segue como falsa aliada nas decisões de ambos.

Ao contrário do mato-grossense, porém, Demóstenes mostra que, ao menos, tem um pouco mais de cuidado e só decidiu pela investida em tentar retorno à vida pública eletiva quando finalizou suas pendências jurídicas. Já Taques, nem isso acha que precisa…

 

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