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Grupo de Arcanjo comanda jogo do bicho há 30 anos em Mato Grosso: “ficou preso e continuou”


| Fonte: Olhar Direto
Foto: Reprodução

O grupo de João Arcanjo Ribeiro comando o ‘jogo do bicho’ em Mato Grosso há pelo menos 30 anos. Esta é a estimativa feita pela Polícia Civil, que investiga o ex-comendador e o prendeu nesta quarta-feira (29), durante a ‘Operação Mantus’. O delegado Luiz Henrique Damasceno, da Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) e responsável pelo caso acredita que o destino mais correto a ele seria uma prisão federal.

 

“As informações nos apontam que eles [grupo de Arcanjo] mandam em Mato Grosso há 30 anos. Não há como precisar com toda a certeza, mas gira em torno disto. Pelo que se constata. O jogo do bicho nunca parou, mesmo após a prisão do ex-comendador. Ele estava na cadeia e o genro veio e tomou conta”, explicou o delegado.

Damasceno ainda acrescenta que o envolvimento direto de Arcanjo com o jogo do bicho recomeçou após ele deixar a penitenciária federal. Por conta disto, acredito que este seja o melhor destino para o ex-comendador. “Ele ficou 15 anos preso e a prática continuou. Mas esta decisão cabe ao poder judiciário”.

João Arcanjo Ribeiro, conhecido como “Comendador”, é acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso, nas décadas de 80 e 90, sendo o maior “bicheiro” do Estado, além de estar envolvido com a sonegação de milhares de reais em impostos, entre outros crimes.

No ano de 2002, Arcanjo foi alvo da operação da Polícia Federal, Arca de Noé, em que teve o mandado de prisão preventiva expedido pelos crimes de contravenção penal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e homicídio. A prisão do bicheiro foi cumprida em abril de 2003 no Uruguai. Arcanjo conseguiu a progressão de pena do regime fechado para o semiaberto em fevereiro de 2018, após 15 anos preso.

Agora, Arcanjo e os outros suspeitos devem responder pelo crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.

As investigações iniciaram em agosto de 2017, conseguindo descortinar duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho no Estado de Mato Grosso, e que movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões. Uma das organizações é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues, já a outra é liderada por Frederico Muller Coutinho.

O empresário Frederico Müller Coutinho é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa. Müller trocava cheques no esquema e chegou a passar dinheiro para o então braço direito do ex-governador. Os cheques teriam sido emitidos como parte de um suposto acordo de pagamento de propina ao grupo político do ex-governador.

Durante as investigações, foi identificada uma acirrada disputa de espaço pelas organizações, havendo situações de extorsão mediante sequestro praticada com o objetivo de manter o controle da jogatina em algumas cidades.

Os investigadores também identificaram remessas de valores para o exterior, com o recolhimento de impostos para não levantar suspeitas das autoridades. Foram decretados os bloqueios de contas e investimentos em nome dos investigados, bem como houve o sequestro de ao menos três prédios vinculados aos crimes investigados.

Em abril de 2018, após deixar a prisão, Arcanjo recebeu a equipe do Olhar Direto. De imediato, o ex-bicheiro avisou que não se tratava de entrevista e, sim, de uma forma de mostrar à imprensa que deseja seguir em frente a sua vida, no anonimato, deixando para trás os sobressaltos do passado.

Embora tenha passado praticamente 15 anos sendo transferido de um Presídio Federal para outro, tendo passado mais tempo em Campo Grande (MS), ele revelou que sua mente sempre foi livre. Ele observou que esteve preso, mas nunca foi preso.

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