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Barbudo quer pitacos de Bolsonaro bem longe das eleições de 2020 em MT


| Fonte: Da Redação NMT com informações Marcos Toledo
Barbudo e o presidente Bolsonaro. Foto - Assessoria

De produtor rural do interior e ex-vereador de Alto Taquari, o caricato deputado federal, Nelson Barbudo (PSL/MT), desbancou grandes estruturas financeiras e grupos políticos tradicionais para se tornar o mais votado de 2018 entre os oito representantes de Mato Grosso na Câmara Federal. Para quem acompanha mais de perto, porém, em que pese o sucesso de seus vídeos na internet, esmagadora parte definidora do seu absolutismo nas urnas tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro (PSL).

A dependência política do atual e popular presidente da República, no entanto, parece já ser coisa do passado na cabeça do deputado federal, que demonstra em suas palavras a independência de quem se acha, de fato, uma liderança autônoma em Mato Grosso. Uma prova disso é a entrevista dada pelo youtuber sobre as projeções da turma do 17 para as eleições de 2020, quando novos prefeitos serão definidos nas cidades brasileiros. Barbudo não se intimidou ao dizer que não quer o dedo de Bolsonaro na definição dos nomes que vão concorrer no estado.

Em uma roda de conversa com jornalistas do programa “A notícia de Frente” (vídeo fim da matéria), nos últimos dias, o presidente estadual do PSL-MT refutou a possibilidade do presidente fazer indicações para alguma candidatura nas grandes cidades de Mato Grosso e deixou claro que a decisão é da direção estadual. O deputado e líder mato-grossense do partido, confirmou que no estado quem manda é a Executiva Estadual e que não conta com a possibilidade da interferência da Nacional. A postura é mais uma das tantas que Barbudo teima em fazer e que todo político experiente sabe que não se pode levar a público, ou seja, poderia até pensar e construir os projetos neste viés, mas atrás das cortinas. O parlamentar, todavia, prefere levar a conversa da cozinha para a rua, provoca o desgaste diretamente para o próprio peito e mostra que de jogo de cintura para ser um grande líder partidário não tem é nada.

“Nós temos uma normativa no PSL que candidatos da capital (Cuiabá), de Várzea Grande e de cidades pólos passa pelo crivo da Executiva Estadual (…)  Mas mesmo que não existisse, eu acharia deselegante, eu como presidente e a Selma (Arruda, senadora) como vice da Estadual, na capital (Cuiabá), vir uma ordem lá de Jair Bolsonaro”, disse, Nelson Barbudo, mandando um recado antecipado ao presidente e seus aliados mais próximos que fiquem bem distantes quanto ao pleito próximo.

A verdade é que Barbudo está longe de ser o personagem político que se pintou em 2018. Não se trata alguém adepto de boas e novas práticas, mas de um político que tem o mérito isolado de ter surfado com competência a onda da extrema direita, potencializando o discurso principalmente pelo seu visual quase folclórico e extremamente chamativo ao grande público. A verdade, para muitos, no entanto, é que nutre dentro de si algo muito próximo do coronelismo da velha política. Muita gente experiente e que acompanha os bastidores, até do próprio PSL, diz ver muito do cacique Carlos Bezerra (MDB) nas ações de Barbudo, sobretudo no que tange a conquista de espaços políticos e interesses mais pessoalizados de aliados mais próximos. A diferença, é claro, está na habilidade da condução das demandas, onde Bezerra é ligeiro feito Messi e Barbudo tão cuidadoso feito Felipe Melo.

Em um futuro breve, será possível ver se Barbudo terá realmente forças para cortar o cordão umbilical e mostrar que tem vida política própria, do tamanho que as últimas eleições lhe trouxe, ou se é só mais uma sardinha com ego de tubarão. Vamos aguardar pra ver…

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