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Bolsonaro tenta amarrar Moro, mas leva invertida


| Fonte: Da Redação NMT
Bolsonaro ao lado de Moro, em evento recente realizado em Curitiba. Foto - Jonathan Campos/Gazeta do Povo

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) está muito focado em permanecer um longo tempo no Poder. Até por isso, está tão preocupado em aprovar logo a Reforma da Previdência em seu primeiro ano de Governo e ter mais tempo para eventualmente se recuperar de um ou outro desgaste com a injeção de algum ânimo, mesmo que simbólico, na destroçada economia brasileira. Ocorre que um político que se preze, sobretudo alguém com tantos mandatos na carreira feito o atual presidente, sabe bem que o “inimigo” pode nem sempre morar tão longe.

A fala de Bolsonaro, neste início de semana, sobre a condicionante acordada com Sérgio Moro para que o mesmo largasse 22 anos de magistratura e viesse ao Ministério da Justiça e Segurança Pública foi a garantia de uma cadeira no Supremo Tribunal Federal – STF, assim que o mesmo vagar uma das 11 existentes, provavelmente com o decano Celso de Mello, no ano que vem. Para muita gente, tratou-se de mais uma fala destrambelhada do presidente, dentre tantas outras, mas desta vez as palavras podem ter sido carregadas de perspicácia.

Pesquisas recentes, como do Atlas Político, mostram que Moro é a única personalidade atualmente à frente do ex-presidente Lula (PT) e até do próprio Bolsonaro no que tange à popularidade. A fala então é precisa, por mais que arriscada do ponto de vista jurídico, visto que a legislação veda qualquer tipo de acordo dessa natureza. O presidente quer empurrar seu ministro para o STF, amarrá-lo nesta condição e voltar a ter todas atenções sobre si. Se a popularidade de Moro seguir nas alturas, mesmo numa eventual migração, e ousar abandonar uma cadeira vitalícia na alta corte, o que seria quase que impensável, o atual presidente ainda poderia jogar sobre o paranaense a pecha de traidor, ou seja, Bolsonaro jogou bem.

Ocorre que a tática, que provavelmente saiu da cabeça de Carlos Bolsonaro (PSL), vereador pelo Rio de Janeiro, mas que não tira os olhos de Brasília e já trabalha pela continuidade do pai em 2022, não contava com a postura de Moro. O ministro tratou de negar veementemente qualquer tipo de acordo antecipado, não fez qualquer projeção em retornar ao Judiciário e diz que tem total foco no seu trabalho no Executivo e na aprovação do pacote anticrime, que enviou ao Congresso sob aplausos de boa parte da população. desmentir o chefe assim em público, sobretudo o mesmo sendo tão poderoso, é para quem tem bala na agulha…

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